E existe um momento em que alguém que nos diz tanto nos abre a mente com a verdade que nós não conseguimos ver e nos salva de tudo….
Obrigada ”…”
"Não me chega que não me façam chorar: têm de me fazer rir. Não me chega, sequer, um sorriso tímido, têm de saber fazer-me rir descontroladamente. E chorar. E abraçar-me a seguir e dizerem-me que tudo vai correr bem. E que, a seguir, corra mesmo.
Tenho saudades da carícia dos teus braços, dos teus braços fortes, dos teus braços carinhosos que me apertam e que me embalam nas horas alegres, nas horas tristes. Tenho saudades dos teus beijos, dos nossos grandes beijos que me entontecem e me dão vontade de chorar. Tenho saudades das tuas mãos (…) Tenho saudades da seda tão leve, tão suave, como se o sol andasse sobre o teu cabelo, a polvilhá-lo. Minha linda seda morena, como eu tenho vontade de te desfiar entre os meus dedos! Tu tens-me feito feliz, como eu nunca tivera esperanças de o ser. Se um dia alguém se julgar com direitos a perguntar-te o que fizeste de mim e da minha vida, tu dize-lhe, meu amor, que fizeste de mim uma mulher e da minha vida um sonho bom; podes dizer seja a quem for, que eu nunca tive ninguém que olhasse para mim como tu olhas, que desde criança me abandonaram moralmente que fui sempre a isolada que no meio de toda a gente é mais isolada ainda. Podes dizer-lhe que eu tenho o direito de fazer da minha vida o que eu quiser, que até poderia fazer dela o farrapo com que se varrem as ruas, mas que tu fizeste dela alguma coisa de bom, de nobre e de útil, como nunca ninguém tinha pensado fazer. Sinto-me nos teus braços defendida contra toda a gente e já não tenho medo que toda a lama deste mundo me toque sequer.
Sempre que há um naufrágio e alguém sobrevive, os primeiros tempos são de desespero, de desorientação, de desalento. Assalta-nos a sensação de estarmos perdidos, de nada podermos fazer para alterar a nossa situação. E a tentação de nos deixarmos vencer e arrastar sem dar luta é tão forte… Nos primeiros dias nem sabemos como estamos vivos. E saber que a nossa existência perdura não é suficiente para nós aguentarmos. Porque o fim parece-nos tão próximo… Para quê lutar? Para quê insistir? Afinal foi tudo o que fizemos até agora e o resultado é este… Contudo horroriza-me a inércia, a fraqueza de quem entrega tudo sem dar luta. Ainda que desconhecendo o resultado dessa luta, ainda que nós primeiros dias me tenha apetecido desistir e deixar-me arrastar, hoje acordei com vontade de reerguer o meu barco e de, mais cedo ou mais tarde, fazer-me ao mar. Quase parafraseando o poeta, direi que não sei por onde vou, não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí, pelo caminho do mais fácil. Navegar é algo cuja dificuldade aumenta substancialmente quando o fazemos sozinhos, mas prefiro enfrentar essa dificuldade do que arriscar levar num eventual naufrágio alguém que comigo queira navegar. Será uma viagem solitária, mas não será a primeira vez que tenho de o fazer. Estou por minha conta. Conheço-me e sei do que sou capaz. E vou começar do zero. Certamente com mais obstáculos do que em todas as outras viagens que já fiz, mas não vou ficar parada. Uma cadeira de rodas pode impedir-me de correr sobre as minhas pernas, mas não vai impedir-me de voar nas asas da minha vontade. Pelo caminho, vão ficar pessoas e memórias de momentos. É o preço que a vida nos cobra pelas escolhas que fazemos. Se já em outros tempos fui capaz de preencher a minha vida com trabalho e mais trabalho e mais trabalho, hoje serei capaz de o fazer de novo. Apenas começo do zero em todos os sentidos. Inclusive o financeiro. Mas não tenho medo. A vitória será minha. Só minha.
Fotografia tirada da minha colecção pessoal Orgulho de hoje, É conseguir encontrar pessoas na vida que nos fazem sentir bem, naquele momento em que já nem andamos à procura de nada. Sentir que cada triunfo, cada conquista tem também um bocadinho nosso, quanto mais não seja, da nossa dedicação. É sorrir porque sim. Por essas pessoas que fazem parte de nós, com qualidades que desejamos e defeitos com os quais tentamos viver. Feitios que por muito diferentes que sejam, se encontram em determinada altura. Pessoas que nos mimam e nos apetece mimar, mais do que tudo. Com um beijo que é sempre nosso, que faz arrepiar, que faz sonhar com momentos perfeitos. Há dias em que o pouco é tudo mas esse tudo torna-se nada em poucos segundos. As palavras são a única coisa que podemos guardar, quando o vento não as leva. As imagens ficam gravadas na memória apenas e só. As dúvidas de vez em quando aparecem, enquanto as certezas são cada vez menos. Valerá a pena? Será que chega? Seremos mais fortes que isto? Não há palavras que substituam os gestos, as atitudes ou o tempo que temos para dar. Não há nada que chegue a um abraço sincero de saudades, de muitas saudades. De sentir a falta, de querer muito mesmo não sabendo bem o quê. Cada dia que passa é só isso, um dia. É menos uma oportunidade, é mais um beijo que se perdeu. Não se alimenta nada com ilusões ou esperanças. A felicidade conquista-se e partilha-se com quem gostamos muito. E ninguém disse que era fácil. Há pessoas especiais, que merecem o melhor de nós só por isso mesmo, porque são especiais, muito mais do que possam imaginar. E o maior orgulho de todos é poder fazer parte da vida de pessoas assim. tenho é pena de ter de guardar esse orgulho só para mim..